| Boletim Informativo
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Nº
1 - Junho de 2000 |
Atividades CABRI
para o Professor
Links recomendados
Entrevista
- Professor Doutor Ubiratan D'Ambrosio
Eventos
Atividades
Cabri para o Professor
Concordância
- Construções com CABRI
O objetivo deste trabalho
é fazer sugestões para o estudo da concordância, utilizando
o software Cabri-Géomètre II. É dirigido, principalmente,
para as aulas de Educação Artística, de Desenho Geométrico
ou Geometria do ensino fundamental. Professores(as): Maria
José Ferreira da Silva, Rosana Nogueira de Lima, Vincenzo
Bongiovanni e Saddo Ag Almouloud.
Links
Recomendados:
Abracadabri - http://www-cabri.imag.fr/abracadabri/
Revista sobre CABRI elaborada pela Universidade Joseph Fourier,
Grenoble França - Universidade criadora do CABRI.
Web of Science - FAPESP e CAPES - http://webofscience.fapesp.br/
A assinatura do WoS foi inicialmente feita pela FAPESP,
em 1997, no âmbito do projeto SCIELO, relativo à constituição
de uma biblioteca virtual de revistas científicas brasileiras
publicadas em formato eletrônico (http://www.scielo.br).
A assinatura da FAPESP permitiu que tivessem acesso à WoS
52 instituições de pesquisa do Estado de São Paulo. Reconhecendo
a importância instrumental dessa base de dados, a CAPES
firmou com a FAPESP um convênio que garantiu o direito de
acesso à WoS, a partir de 1999, a mais 67 instituições de
ensino superior e de pesquisa de todo o País, mediante o
uso compartilhado da infra-estrutura instalada.
Programa Nacional de Informática na Educação
- http://www.proinfo.gov.br/
O ProInfo é um programa educacional que visa a introdução
das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação
na escola pública como ferramenta de apoio ao processo
ensino-aprendizagem.
O ProInfo é uma iniciativa do Ministério da
Educação, por meio da Secretaria de Educação
a Distância SEED, criado pela Portaria nº
522, de 09 de abril de 1997 sendo desenvolvido em parceria
com os governos estaduais e alguns municipais.
Entrevista
- Professor Doutor Ubiratan D'Ambrosio
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Ubiratan D' Ambrosio
Professor emérito de Matemática da Universidade
Estadual
de Campinas/UNICAMP, presidente do ISGEm/International
Study Group on Ethonomathematics e presidente
da Sociedade Brasileira de História da Matemática
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Pergunta: Em
que momento a tecnologia deve ser inserida no processo educacional
de uma criança?
Prof. Ubiratan: "Eu costumo dizer que
na hora que você dá uma mamadeira para uma criança,
dê uma calculadora." Isso para enfatizar que a
tecnologia está incorporada na vida da criança,
pois ela está presente em toda nossa sociedade. Não
deve haver hesitação na utilização
da tecnologia. Quando é que você dá um
relógio para uma criança? No momento em que
ela se interessa pelo tempo. É o momento no qual ela
passa a ter alguma atividade que tem uma hora para ser realizada.
Na hora que a criança quer ouvir uma música,
ela tem um lugar onde ela aperta um botão para ouvir
o rádio ou coloca um CD para funcionar. Você
tem que desmistificar a participação da tecnologia
no dia a dia das pessoas. A tecnologia tem que se tornar algo
espontâneo, natural. Acho que esta é a grande
característica dessa civilização tecnológica
que nós vivemos hoje.
Pergunta: Com a tecnologia em sala de aula,
qual o papel do professor e do aluno?
Existe alguma mudança significativa? Quais são
os desafios?
Prof. Ubiratan: Os professores
e os pais são muito menos ágeis que os mais
jovens. É uma questão de geração.
Os adultos levam muito mais tempo para assimilar a naturalidade
da tecnologia, pois isso é novo para eles. Já
as crianças nascem com isso. Essa é uma das
razões da lentidão do uso e sobretudo da aceitação
da tecnologia por grande parte dos adultos. No fundo, existe
o medo de perder a autoridade, pois as crianças dominam
os instrumentos com mais facilidade. Isso assusta sobretudo
os professores.
Na presença da tecnologia, hoje inevitável,
a grande mudança é fazer da educação
um trabalho cooperativo. Educação hoje não
é mais o professor passar algo para o indivíduo
que está lá só para receber. O aluno
e o professor estão num processo de troca de conhecimentos,
de experiências e de expectativas. O aluno não
entra na sala de aula somente para receber. Veja, uma criança
de 10-12 anos quando olha o futuro, pensa em 2050. Quando
eu penso em futuro, se eu pensar em 2010, estarei sendo muito
arrojado. Educação tem tudo a ver com o futuro
e o futuro está na cabeça das crianças
e não na cabeça dos velhos. Se o professor está
preparando as crianças achando que o futuro será
parecido com o seu passado, estará sendo totalmente
ingênuo. Na verdade o processo educacional é
um processo de negociação, onde professores
e alunos devem negociar trocas de conhecimentos, de experiências
e de expectativas. Isso deve substituir uma relação
de autoridade, de timidez e de passividade. Se o professor
entrar no processo de negociar, as crianças vão
se comportar muito melhor. Quando a criança olha para
uma pessoa mais velha, ela sabe que essa pessoa viveu mais,
conhece mais coisas do passado do que ela. Não existe
nada melhor do que você conversar com alguém
e saber que essa pessoa viu um acontecimento. As crianças
são sensíveis a isso. Daí o interesse
pelos contadores de histórias. Mas no momento que o
professor tenta mostrar certeza sobre o que, evidentemente,
ele não sabe e quase certamente não chegará
lá, ele arrisca perder o respeito das crianças.
O professor tem que criar um clima de respeito mútuo.
Como professor, respeite a criança que está
pensando coisas de 2050, e ela o respeitará porque
você viu coisas de 1970. Acho que é isso que
deve negociado e trabalhado. O aluno dessa maneira também
se sentirá valorizado. O professor chega assim em sala
de aula, com a expectativa de utilizar um instrumento da geração
do aluno, instrumento que o aluno usa no dia a dia. Para isso,
o professor preciso do apoio do aluno e é nesse momento
que se cria um clima mais favorável à educação.
Pergunta:
Como o Sr. vê a aplicação
de tecnologia no ensino da matemática?
Prof. Ubiratan: Vou pegar como exemplo o caso da
geometria. Grande parte da matemática que a gente faz,
foi desenvolvida com pauzinho escrevendo na areia e depois
com papel e lápis, quadro-negro e giz. Sempre tivemos
à disposição uma borracha ou um apagador.
A dinâmica da utilização dos instrumentos
com os quais trabalhávamos a geometria era outra. Hoje,
faz-se geometria com o mouse, o que é completamente
diferente de fazer geometria com o papel e o lápis,
ou com o giz e quadro-negro. Tudo é hoje muito diferente
e tudo isso faz com que as representações do
espaço, que é ponto de partida para a geometria,
sejam diferentes. A geometria nasce de representarmos um fato
e trabalharmos sobre essa representação. Essa
representação hoje se faz hoje de outra maneira.
O mouse não é lápis nem giz. Possibilita
outras maneiras de trabalhar. Essa tecnologia traz utilidades
que não existiam antes, e devemos utili-zá-las.
Se as soluções tecnológicas facilitam
nossa vida em vários setores da sociedade, porque não
também no ato de aprender?
Pergunta: O que falta para uma maior disseminação
do uso de tecnologia nas escolas, tanto nas escolas públicsa
quanto nas privadas? Equipamentos, capacitação?
Prof. Ubiratan: Eu acho que tem havido muito
esforço para colocar equipamentos nas escolas. Quando
eu participava de projetos educacionais e dava pareceres sobre
projetos, nunca notava falta de equipamentos nem falta de
programas de treinamento. Mas sempre notava falta de medidas
para mudar a atitude dos professores. Não adianta dar
equipamento nem treinamento, se não houver mudança
de atitude. É o momento de quebrar preconceitos, medo,
quebrar o paradigma e passar para a educação
de cooperação. Esse é o caminho.
Eventos
24th
Conference of the International Group for the Psycology of
Mathematics Education (PME 24)
23 - 27 de Julho de 2000, Hiroshima, Japão
Explore o mundo Cabri:
http://www.cabri.com.br
| http://proem.pucsp.br