Comunicações
Científicas
Geometria
Dinâmica e Demonstrações na Formação Continuada de Professores
Elizabeth Belfort, Luiz Carlos Guimarães e Rafael
Barbastefano1
Abstract
The
research described in this article is based on experiments
aiming at the development and evaluation of activities, using
dynamic geometry softwares as tools to encourage secondary
teachers to prove theorems in geometry. The sample of subjects
comes from in service courses promoted by the Institute of
Mathematics - U.F.R.J, in Rio de Janeiro, with financial support
from CAPES and FAPERJ. This article focus the choice of subjects
for each sketch planned to play an important role in promoting
deductive reasoning. The sketches presented here are based
on works of Euclid and Legendre.
We
argue that the experimental environment allowed by the dynamic
properties of the softwares can be used to investigate the
main arguments used in the process of proving a theorem. We
also discuss the importance of complementary texts and deductive
work as integrated activities with those developed using the
sketches. To conclude, we report some of the findings of the
initial analysis of the field research developed with the
sample of secondary mathematics teachers.
Resumo
A
pesquisa aqui relatada descreve atividades em geometria dinâmica
planejadas com o objetivo de incentivar o professor de matemática
do ensino médio a demonstrar resultados geométricos. A pesquisa
de campo vem sendo realizada com grupos de professores que
participam de cursos de atualização oferecidos pelo Instituto
de Matemática da U.F.R.J., com financiamento da CAPES e da
FAPERJ. A escolha dos temas das telas computacionais é o foco
do artigo, pois são os problemas propostos que podem proporcionar
um ambiente que incentive o raciocínio dedutivo e a demonstração.
Esta escolha foi fruto de uma pesquisa histórico-matemática,
e apresentamos aqui algumas telas inspiradas em textos de
Euclides e Legendre.
Neste
trabalho discutimos que a experimentação permitida pelas características
dinâmicas dos softwares pode ser explorada no sentido de encaminhar
o raciocínio para os principais argumentos usados em uma demonstração
em geometria. Também é discutida a importância dos roteiros
exploratórios e textos complementares que acompanham o material
computacional. Finalmente, apresentamos algumas das conclusões
preliminares da análise da pesquisa de campo realizada durante
os cursos para professores.
Introdução
O
Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de
Janeiro vêm desenvolvendo um trabalho expressivo em formação
continuada de professores de matemática em vários níveis.
Diversos artigos têm sido publicados pelos docentes do Instituto
envolvidos no processo, como conseqüência natural dos processos
de reflexão e pesquisa relacionados a este trabalho (para
exemplos recentes envolvendo geometria dinâmica, ver Guimarães
et al. 1999 a e b; Belfort e Guimarães, 1999, 1998 a e b;
Gani e Belfort, 1999).
Nos
últimos dois anos, os autores deste artigo vêm sendo responsáveis
pelos cursos em laboratório de Geometria, parte integrante
do curso de atualização oferecido pelo I.M. como parte do
projeto PRO-CIÊNCIAS. Este curso é destinado a professores
de matemática atuando no ensino médio no Estado do Rio de
Janeiro. Softwares de Geometria Dinâmica têm sido nossa ferramenta
de escolha, e a resposta dos professores ao processo tem sido
bastante positiva. Colocados em uma situação onde não se sentem
testados em seus conhecimentos, já que estão sendo apresentados
a uma nova ferramenta, os professores do ensino médio têm
a oportunidade de repensar e questionar seus conhecimentos
matemáticos (Belfort e Guimarães, 1998 a)
A
pesquisa de atitudes dos professores que vimos desenvolvendo
durante estes cursos aponta para uma dificuldade em provar
resultados matemáticos. Mesmo aqueles professores que demonstram
um bom conhecimento dos conteúdos ligados à sua prática de
sala de aula, em geral não conseguem apresentar justificativas
matemáticas para os 'fatos' que utilizam. Na nossa experiência
nos cursos de formação permanente ficou claro que, ao discutir
com eles tópicos de matemática ligados à sua prática, sob
um enfoque diferente do que eles estão acostumados a utilizar,
apresentávamos uma oportunidade para reintroduzir a necessidade
de provas e justificativas em matemática.
Nossa
experiência tem sido particularmente rica sob o ponto de vista
do uso de softwares de Geometria Dinâmica. Ficou constatado
desde o início que muitos professores tendiam a acreditar
sem questionamento nos resultados visualizados na tela, e
nessa atitude estava incluída até mesmo uma crença de que
as medidas realizadas pelos softwares não estavam sujeitas
a erros e aproximações.
Pela
própria concepção desses softwares, a tentação de utilizar
Geometria Dinâmica apenas para o desenvolvimento de conjecturas
por raciocínio indutivo, esquecendo a importância do raciocínio
dedutivo em matemática, é bastante grande. Existe sempre o
risco de levar o professor a generalizar um resultado a partir
de um número finito de casos, e de considerar como demonstrados
resultados que foram apenas visualizados através do software.
Nosso desafio então foi desenvolver atividades em geometria
dinâmica que incentivassem os professores a demonstrar os
"fatos" explorados no computador.
Apresentamos
aqui um relato da fase inicial da pesquisa, que visou a associação
dos experimentos indutivos com os métodos dedutivos através
do trabalho em telas especialmente preparadas, de discussões
com todo o grupo após esta exploração inicial, e do trabalho
com textos escritos especialmente para este curso pelos autores
deste artigo. Exemplificamos a escolha que fizemos de temas
das telas computacionais, com o objetivo de levar o professor
à argumentação e ao questionamento de resultados visualizados
no computador. Para tal, contamos com as sugestões de "consultores"
reconhecidamente competentes: Euclides e Legendre. Mais que
seus resultados, é a beleza dos métodos dedutivos desenvolvidos
por estes autores que favorece o ambiente de discussão e aprendizado,
como detalhado no embasamento teórico-matemático descrito
a seguir.
Embasamento
Teórico - Matemático
A
postura educacional fundamental adotada por nós nos cursos
de formação continuada de professores tem sido a da diversidade
de experiências e de metodologias de ensino, defendida por
Ausubel (1968). Para uma descrição mais detalhada desta postura,
e suas ligações com teorias epistemológicas, ver Gani e Belfort
(1999).
Podemos
dividir nosso problema em duas partes: a primeira seria convencer
o professor que não há como se assegurar de um resultado a
partir da observação da tela do computador, e a segunda parte
seria desenvolver atividades em geometria dinâmica que aproximassem
o professor dos argumentos básicos utilizados nas demonstrações
dos resultados envolvidos.
A
exploração dos limites do software foi a forma natural de
resolver a primeira parte do problema. Numa tela com número
finito de 'pixels', as limitações dos programas são facilmente
encontráveis. No entanto, foi na pesquisa histórico-matemática
que encontramos fontes de soluções para o problema de levar
o professor à consciência da necessidade de demonstrar, mesmo
quando trabalhando com geometria dinâmica.
Os
grandes autores da história da geometria apresentam seqüências
de resultados em seus livros nas quais os métodos utilizados
para as demonstrações se destacam por sua clareza e compacidade.
Neste artigo vamos nos fixar nos textos de Euclides e Legendre
pois, sem sombra de dúvida, os livros de geometria elementar
que escreveram foram as maiores influências sobre os livros-texto
escritos sobre o assunto ao longo da história.
N'Os
Elementos, Euclides organiza de forma axiomática-dedutiva
o conhecimento matemático elementar do seu tempo ( ~ 300 A.C.).
Quem já tentou sua leitura, sabe perfeitamente que o termo
'elementar' não deve ser compreendido como 'simples' ou 'fácil',
mas sim como 'básico', pois estão descritos ali os alicerces
de todo o conhecimento matemático da época.
Damos
destaque aqui à sequência de resultados sobre áreas planas
que conclui o livro I (e que se inicia no teorema 35), pois
esta é surpreendente sob diversos aspectos, quando comparada
com o tratamento dado ao tema nos livros didáticos modernos.
Nesta sequência, Euclides compara áreas de paralelogramos
e triângulos sem medi-las, ou seja, nenhuma unidade de medida
é introduzida, e não há fórmulas ou valores numéricos associados
aos seus resultados. Também faz parte desta sequência uma
demonstração do Teorema de Pitágoras que não utiliza semelhança
de triângulos, mas se apoia na comparação das áreas dos quadrados
construídos sobre os lados. Os argumentos de demonstração
utilizados por Euclides estão baseados no conceito primitivo
de área (postulados). A congruência de triângulos é a ferramenta
principal, e cada resultado é obtido dos anteriores em um
sequenciamento extremamente didático.
Adrien
Marie Legendre (1752-1833), matemático de destaque em seu
tempo, escreveu a primeira edição de Éléments de Géométrie
em 1794. O livro foi um sucesso, e adotado como livro texto
por gerações em diversos países. Sua tradução para o português
foi o primeiro livro editado no Brasil, em 1809, logo após
a criação por D. João VI da Imprensa Nacional (Azevedo, 1994).
Como bem observa Heath (1956), Legendre liga seu nome à geometria
de forma definitiva nestes livros. Um dado que vale a pena
observar é que em cada uma das doze edições lançadas durante
sua vida (a última delas data de 1833) há uma tentativa de
provar o quinto postulado de Euclides: o famoso 'axioma das
paralelas'. Embora frustadas, estas tentativas não foram improdutivas:
por exemplo, é de Legendre a demonstração, sem recurso ao
quinto postulado, de que a soma dos ângulos de um triângulo
não pode ser maior que 2 retos. Influenciados por seu trabalho,
matemáticos de gerações vindouras finalmente desenvolveram
o conceito de geometrias não euclidianas (Boyer, 1996).
Pesquisamos
diversas edições deste livro, mas aqui nos baseamos na décima
quinta edição (Legendre, 1852). Destacamos três resultados
que integram o apêndice do livro IV, onde Legendre ataca o
difícil problema de maximizar áreas, usando métodos de geometria
sintética. O primeiro teorema afirma que entre triângulos
com um mesmo lado (AB) e o mesmo perímetro o de maior área
é o triângulo isósceles com esta mesma base (AB). Como é de
se esperar, esta não é uma demonstração simples por argumentos
de geometria plana, e a apresentada por Legendre é memorável.
A partir deste esforço inicial, uma sequência de resultados
é trabalhada, culminando com a demonstração de que a área
do círculo é maior que a área de qualquer polígono que tenha
o mesmo perímetro que ele. Nesta sequência também encontramos
argumentação matemática que sempre sensibiliza os professores
em nossos cursos.
Descrição
da Metodologia
Buscamos
temas relacionados com a prática dos professores em suas salas
de aula, abordados sob pontos de vista diferentes daqueles
usuais. Nos roteiros exploratórios que acompanham o material
de laboratório, perguntas do tipo 'por que?' ou 'será que
o resultado obtido é sempre verdadeiro?' incentivam os professores
a justificar suas conclusões.
É
importante destacar mais uma vez que a metodologia de trabalho
adotada quando da utilização destas telas inclui uma discussão
dos professores ministrantes do curso com todo o grupo, posterior
à exploração no ambiente computacional. As demonstrações são
discutidas em sala, a partir das sugestões apresentadas pelos
próprios professores-cursistas, permitindo a socialização
dos resultados obtidos pelos diversos grupos.
A
amostra de professores é, por força da definição do próprio
programa de capacitação, bastante diversificada. No entanto,
em todas as amostras (97, 98 e 99), pelo menos 40% dos professores
atuam no interior do estado, fora do Grande Rio. A quase totalidade
destes professores obteve seu grau de licenciado na própria
região onde atua, e são poucos os que mostram segurança nos
conteúdos de ensino médio. Isso não significa, de forma alguma,
que os professores atuando no Grande Rio demonstrem tal segurança:
também neste grupo a norma é encontrarmos professores tendo
que lidar com as conseqüências de uma formação básica deficiente.
Para
dar uma idéia mais clara da metodologia utilizada, apresentamos
a seguir algumas das telas que levaram os professores à dedução
dos resultados. As telas iniciais se destinam apenas a explorar
possíveis limites no uso do software. Muitas vezes usamos
limitações deliberadamente implantadas, tais como uma diminuição
na precisão de medidas. As demais telas estão baseadas em
resultados apresentados por Euclides e Legendre. O método
usado para tratar estes resultados é aquele usado originalmente
por esses autores.
Telas
Explorando os Limites do Software
Nestas
telas, o problema da precisão é discutido, tanto do ponto
de vista do número finito de pontos na tela, quanto do limite
de programação e precisão e, finalmente, do ponto de vista
da capacidade visual de distinguir diferenças.
Na
tela ao lado, pede-se que se ache experimentalmente o valor
do lado AB de um retângulo para que este tenha área máxima.
Deliberadamente exploramos o fato de que a medida do lado
AB encontrado por diferentes experimentadores pode não coincidir.
Na
verdade, o problema acima foi um dos que primeiro nos chamou
atenção para o fato de que muitos professores aceitavam a
resposta dada pelo software como conclusiva. Em um dos experimentos,
fomos chamados por três duplas de professores que, sentados
próximos, haviam comparados suas respostas. Todos tinham obtido
uma área máxima de 100 m², mas os valores do lado AB diferiam.
Esses professores ficaram em um impasse, e não conseguiram
decidir qual dos três valores encontrados seria o correto.
A exploração do 'erro' do software levou à necessidade de
encontrar uma solução teórica para o problema, onde o papel
do raciocínio dedutivo era preponderante.

Já na tela ao lado discutimos o fato de que muitas vezes nosso
olho não acompanha a precisão do software. Somos informados
pelo software de que os pontos não são colineares, mas não
é possível distinguir visualmente o desalinhamento dos pontos.
Assim, não podemos nos basear nestas informações para nos
certificar de um resultado.
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Nesta
tela, o ponto S se move livremente sobre a elipse.
Sem dar-se conta de que uma projeção cônica altera
distâncias e ângulos, muitos professores tentam
confirmar o fato geométrico de que os segmentos
tangentes à esfera menor, Tf2 e TR são
congruentes (assim como Tf1 e TS) simplesmente
medindo-os com o software. Ficam realmente surpresos
quando sua expectativa não é confirmada. A dificuldade
na visualização de situações geométricas tridimensionais
é uma das deficiências de formação mais freqüentemente
encontradas. Diríamos mesmo que parece ser universal
entre os professores de formação mais recente. A
análise de currículos de licenciatura comprova a
desvalorização de disciplinas como geometria descritiva
e projetiva em anos recentes.
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Um
outro exemplo: a cônica passando pelos cinco pontos
ao lado, por estar em uma situação limite, não foi
traçada corretamente. |
Esperamos ter deixado claro que estas limitações, que a princípio
poderiam ser consideradas como desvantagens dos softwares
de geometria dinâmica, se mostraram ferramentas extremamente
úteis na discussão do que deve ser considerado como um argumento
válido em matemática. Como já comentado, em alguns casos usamos
deliberadamente uma precisão menor para criar as situações
de impasse.
Telas
Explorando Argumentos de Demonstração
A
tela que apresentamos abaixo corresponde a uma representação
dinâmica do teorema 35, livro I de Os Elementos.
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A
demonstração dada por Euclides para este fato está baseada
na congruência dos triângulos ADD' e BCC', e nas propriedades
de um paralelogramo. São os seguintes os postulados
de área necessários: (1) figuras congruentes têm áreas
iguais;
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(2)
se uma região R pode ser decomposta em duas regiões
R1 e R2 sem outra superposição que não seja
parte da fronteira, então a área de R é a soma das
áreas de R1 e R2.
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A
tela ao lado oferece a oportunidade de discutir os argumentos
da prova do teorema 36. Para mostrar que os paralelogramos
ABCD e A'B'C'D' têm a mesma área, construímos o paralelogramo
ABC'D', e usamos duas vezes o resultado obtido no Teor.
35.
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Pela
constatação de que a diagonal dos paralelogramos acima os
divide em triângulos congruentes, Euclides demonstra com simplicidade
resultados similares para triângulos. Ele prova ainda que
um paralelogramo e um triângulo de bases congruentes sobre
a mesma reta, onde o lado oposto do paralelogramo está na
mesma paralela à reta que o vértice oposto do triângulo são
tais que área paralelogramo = 2 x área do triângulo.
Repare que nenhuma medida de área foi realizada em toda a
sequência de resultados. Os resultados acima são ainda usados
para uma demonstração do Teorema de Pitágoras.
A
próxima tela que oferecemos como exemplo inicia uma nova sequência
de resultados, desta vez baseada em Legendre (1852). O resultado
que esta tela discute pode ser demonstrado tanto por argumentos
de geometria sintética (Legendre) quanto por argumentos de
geometria analítica (este é um exemplo onde o uso de equações
facilita bastante a obtenção do resultado, sem que esbarremos
em dificuldades de contas). Na sala de aula, este resultado
é explorado através dos recursos dinâmicos oferecidos pelos
softwares, levando aos argumentos para a demonstração analítica
do resultado, que é oferecida completa nas notas de aula..
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Com
o auxílio do comando trace, a exploração do fato
de que o vértice variável A se move sobre uma elipse
de focos B e C é percebido e discutido pelos professores.
A partir daí, é uma conjectura natural o fato de que
a altura máxima ocorrerá para o triângulo isósceles.
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Repare
ainda que os argumentos discutidos acima estão muito próximos
daqueles necessários para a prova analítica do resultado,
preparando o professor para o estudo complementar que deve
ser feito em casa.
Uma
vez admitido este resultado, as telas seguintes encaminham
a demonstração do seguinte teorema (Legendre): Entre polígonos
de mesmo número de lados e mesmo perímetro, aquele de área
máxima é equilátero.
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Na
tela ao lado, exploramos o fato de que, se dois lados
consecutivos AB e BC não são congruentes, então é possível
aumentar a área do triângulo ABC, preservando o perímetro,
transformando esses dois lados em lados congruentes
entre si.
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Síntese
de Resultados e Conclusões
Do
ponto de vista da pesquisa educacional, o ambiente de laboratório
computacional é especialmente propício a pesquisas voltadas
para dados qualitativos, pois permite a observação do trabalho
enquanto sendo desenvolvido. Os professores são incentivados
a trabalhar em duplas, o que permite aos pesquisadores presenciar
as discussões de trabalho e registrar os tipos de argumentação
e/ou prova apresentadas para os resultados verificados experimentalmente
na tela. Nossa pesquisa indica que o professor desavisado
tende a acreditar nos resultados oferecidos pelo computador
como verdadeiros, e não parece propenso a questioná-los. Por
outro lado, a dificuldade de muitos professores em justificar
dedutivamente seus resultados durante o trabalho em duplas
confirma que a argumentação não faz parte de sua prática de
sala de aula.
A
análise da pesquisa de campo também indica que, embora poucas
duplas de professores houvessem chegado a demonstrações que
efetivamente se apoiassem em argumentos sólidos, a grande
maioria dos professores foi capaz de participar da discussão
realizada com todo o grupo, e de compreender os métodos dedutivos
utilizados.
Do
ponto de vista da apreciação, o relato dos professores categoriza
estas experiências como 'enriquecedoras', embora diversos
confirmassem dificuldades em 'fazer a ponte' destas atividades
com sua sala de aula. Estes relatos confirmam mais uma vez
quão distante a geometria do ensino médio está da geometria
dedutiva. Em sua maioria, os professores admitem que a experimentação
e a argumentação também têm pouco espaço em sala de aula.
Também
foi observado que os professores da amostra questionaram sua
convicção anterior de que seria possível 'provar' resultados
baseando-se apenas em experimentos na tela do computador.
Eles também relatam que, a partir destes experimentos, os
termos 'geometria experimental' e 'geometria dedutiva' passaram
a ser melhor compreendidos.
Finalmente,
do ponto de vista do uso de softwares de geometria dinâmica
em formação de professores, estamos convencidos que é possível
utilizá-lo não apenas no estágio exploratório do estudo da
geometria, mas também como uma ferramenta de apoio para o
desenvolvimento da capacidade de justificar resultados e da
valorização do raciocínio dedutivo em geometria.
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Heath,
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Legendre,
A. M. (1852) - Éléments de Géométrie - 15ª
edição, Librairie de Firmin Didote Frères, Paris.
1)
Elizabeth Belfort - Depto. de Métodos Matemáticos -Instituto
de Matemática - U.F.R.J.
Luiz Carlos Guimarães - Depto. de Matemática Aplicada - Instituto
de Matemática _ U.F.R.J.
Rafael Barbastefano - COPPE - U.F.R.J.