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Relatos
de Experiência
A
FORMAÇÃO DE PROFESSORES E O CABRI-GÉOMÈTRE II
Adelmo Ribeiro de Jesus
Resumo:
A
experiência de nosso grupo de professores na utilização de programas
computacionais aplicados em cursos de Formação de Professores
é relativamente grande. Há mais de 5 anos realizamos oficinas,
mini-cursos, palestras, com o apoio de programas computacionais
para gráficos de funções, como o mpp, maple, e no momento o
winplot. Além destes, para o desenvolvimento das atividades
de Geometria e Desenho, utilizamos o cabri-géomètre.
Como
exemplos, citamos os três mais recentes cursos, a saber, "Utilização
de Softwares em Geometria e Funções", no VII EBEM, Ilhéus
(1997), "Geometria Euclidiana" no Curso de Especialização
em Matemática para professores das Escolas Públicas da Bahia
(1997), e o Programa Pró-Ciências/Matemática, patrocinado pela
CAPES / SEPLANTEC / CADCT-Ba (1997-1999).
Apesar
de termos perspectivas positivas com relação à utilização de
novas tecnologias no ensino, é necessário reconhecer que esta
tarefa está longe de ser alcançada, em termos da massa de professores
e alunos. No caso da Bahia, temos mais de 3.700 professores
de Matemática na rede pública, onde apenas uma pequena parcela
desses acredita e está sensibilizada para a utilização de softwares
em educação .
Neste
relato, temos como objetivo descrever as rotinas básicas do
programa CABRI 2, enfocando as dificuldades na utilização
do Cabri pelos Professores de Matemática da Rede Pública Estadual
na Bahia, desde as mais primárias e de ordem física (ausência
de laboratórios de microcomputadores, instalações inadequadas,
improvisadas, etc.) às mais profundas e de ordem estrutural
(como a falta de uma política consistente para o uso
adequado da tecnologia, em termos de treinamento
efetivo de professores, falta de instalação de "laboratórios
vivos" de Matemática, etc.)
Complementarmente,
apresentamos sugestões concretas para utilização deste software,
em turmas de Formação de Professores com as carências apontadas
acima, seguidas de observações sobre os problemas que encontramos
em diversas situações, nas oficinas que realizamos na Bahia.
Justificativa
e objetivos:
A
experiência de nosso grupo de professores, na utilização de
programas computacionais aplicados em cursos de Formação de
Professores, é relativamente grande. Há mais de 5 anos realizamos
oficinas, mini-cursos, palestras, com o apoio de programas computacionais
para gráficos de funções, como o mpp, maple, e no momento o
winplot para Windows. Além destes, para o desenvolvimento das
atividades de Geometria e Desenho, utilizamos o cabri-géomètre,
inicialmente na sua versão 1.7, e atualmente o cabri-géomètre
2. Como exemplos, citamos os três mais recentes: o Mini-Curso
sobre "Utilização de Softwares em Geometria e Funções",
no VII EBEM (1997-Ilhéus), a disciplina "Geometria Euclidiana"
no Curso de Especialização em Matemática para professores das
Escolas Públicas do Estado da Bahia, promovido pelo Instituto
Anísio Teixeira (1997-Salvador), e o Programa Pró-Ciências/Matemática,
patrocinado pela CAPES / SEPLANTEC / CADCT-Ba (1997-1999)
Apesar
de termos perspectivas positivas com relação à utilização de
novas tecnologias no ensino, é necessário reconhecer que esta
tarefa é árdua e difícil de alcançar, principalmente para a
grande massa de professores e alunos, em alguns estados do Brasil.
No caso da Bahia, temos mais de 3.700 professores de Matemática
na rede pública, onde apenas uma pequena parcela desses acredita
e está sensibilizada para a utilização de softwares no ensino.
Isto contrasta, em parte, com o otimismo de declarações oficiais,
como a do Jornal do MEC, edição de março:
"O
MEC vai instalar 105 mil computadores em todo o país - 100 mil
em escolas e 5 mil em 219 Núcleos de Tecnologia Educacional
(NTE) já em funcionamento. A previsão é que outros 100 núcleos
estejam funcionando até maio. O objetivo do programa é capacitar
25 mil professores para trabalhar com recursos da telemática
em sala de aula. Deles, 20.557 já estão capacitados. Seis mil
escolas serão contempladas, beneficiando 7,5 milhões de alunos".
Neste
relato, objetivamos descrever as rotinas básicas do programa
CABRI II, enfocando as dificuldades na utilização do Cabri
pelos Professores de Matemática da Rede Pública Estadual na
Bahia, desde as mais primárias e de ordem física (ausência
de laboratórios de microcomputadores, instalações inadequadas,
improvisadas, etc.) às mais profundas e de ordem estrutural
(como a falta de uma política consistente para o uso
adequado da tecnologia, em termos de treinamento
efetivo de professores, falta de instalação de "laboratórios
vivos" de Matemática, etc.) como também as dificuldades
com relação à construção de atividades de Geometria, devido
à falta de conteúdo específico nesta área, por parte dos professores.
Complementarmente,
apresentaremos sugestões concretas para utilização deste software,
em turmas de Formação de Professores com as carências apontadas
acima, seguidas de observações sobre os problemas que freqüentemente
encontramos nas oficinas que realizamos, em diversas situações,
em Salvador e interior da Bahia.
Relato:
Nossas
experiências com utilização do cabri-géomètre se referem aos
cursos de Formação de Professores, citados acima, e visam basicamente
explorar no cabri duas de suas mais importantes características
(Vide Manual de Instruções): "A ilustração das características
dinâmicas das figuras, por meio da animação" e, principalmente,
"a comprovação das propriedades geométricas das figuras,
para provar hipóteses baseadas nos 5 Postulados de Euclides".
Neste sentido enfatizamos nos cursos de Formação de Professores,
em Geometria Plana, a importância da construção do conhecimento
pelo professor e pelo aluno, tanto no aspecto formal e teórico
quanto no seu aspecto experimental, dinâmico, concretizado com
uso do cabri.
Citamos
como exemplo, dentre outros, o do Curso de Especialização em
Matemática para 2 turmas de 40 professores da Rede Estadual
da Bahia (IAT, 1997). Após o contato inicial com os conteúdos
básicos da Geometria (axiomas, proposições, propriedades das
figuras), foram apresentados os comandos básicos do programa
cabri, e posteriormente apresentadas uma seqüência de atividades
para serem realizadas no laboratório de microcomputadores. Citamos
algumas delas:
1.
MEDIATR1:
Crie um segmento AB. Tome o seu ponto médio M e trace a perpendicular
m a este segmento, pelo ponto M. Tome um ponto P qualquer
de m , desenhe os segmentos AP e BP e meça-os. Mova com
o ponto P e observe as medidas de AP e BP.
2.
ANG_OPV:
Trace duas retas intersectando-se em O. Meça os ângulos opostos
pelo vértice e compare. Mova com a figura e observe esses ângulos.
3.
ANGTRIAN:
Desenhe um triângulo, marque e meça seus ângulos. Some estes
ângulos. Mova com o triângulo e verifique se esta soma é constante.
4.
ISOSC1:
Construa um triângulo ABC de base BC, meça os lados AB e AC
e os ângulos B e C. Mova o ponto A até que as medidas de AB
e AC coincidam (AB = AC) . Observe os ângulos dos vértices B
e C. O que você pode concluir?
5.
ISOSC2:
Construa um triângulo ABC qualquer. Meça os lados AB e AC. Trace
pelo ponto A a mediana, altura e bissetriz relativa ao lado
BC (dê cores diferentes para cada um desses objetos). Mova agora
com o ponto A até que as medidas de AB e AC coincidam. O que
se pode induzir daí?
6.
CONSBISS:
Duas retas se intersectam em um ponto O. Em uma delas marque
dois pontos A e B e na outra marque A' e B' tais que OA = OA'
, OB = OB' . Intersecte os segmentos AB' e BA' no ponto P .
Trace a reta que passa nos pontos O e P e observe os ângulos
AÔP e A'ÔP.
7.
CIRCCIRC:
Crie um triângulo ABC e tome duas de suas mediatrizes. Determine
a interseção entre essas mediatrizes, e denote-o por O. O círculo
de centro O passando pelo ponto A também passa pelos pontos
B e C ? Mova a figura para verificar que esta propriedade é
genérica.
8.
CIRCINSC:
Crie um triângulo ABC e tome duas de suas bissetrizes. Determine
a interseção entre essas bissetrizes, e denote-o por O. Trace
a perpendicular ao lado AB pelo ponto O, e determine a sua interseção
D. Construa o círculo de centro O e que passa pelo ponto D.
Verifique que este círculo está inscrito no triângulo ABC.
9.
QUADRIL1:
Dado um quadrilátero qualquer, tome os pontos médios A, B, C,
D desses lados. A figura ABCD é um paralelogramo ?
10.
CIRCANG1:
Em um círculo de centro O tome três pontos A, B, P. Meça os
ângulos AOB (central) e APB (inscrito). Verifique que um deles
é a metade do outro.
11.
CIRCANG2:
Em um círculo de centro O passando por P desenhe um triângulo
inscrito ABP. Meça o ângulo em P. Mova com o ponto B para que
o lado AB passe pelo centro do círculo. Verifique que o ângulo
P é reto.
12.
CIRCANG3:
Ângulos inscritos de um círculo que subtendem um mesmo arcos
são iguais. Verifique esse fato com o uso do cabri.
13.
ESTRELA1:
Em um círculo, crie 5 pontos A, B, C, D, E. Determine os segmentos
AC, CE, EB, BD e DA, formando assim uma "estrela"
ABCD. Marque e meça cada um dos angulos dos vértices e calcule
a sua soma. Mexa com a figura e recalcule estas somas. O que
se pode concluir daí ?
14.
ESTRELA2:
Crie 5 pontos A, B, C, D, E e construa uma estrela ABCDE como
na atividade anterior. A soma dos ângulos dos seus vértices
continua a mesma ? Mexa com a figura e veja se esta propriedade
é mantida.
15.
TESOURO:
Um antigo mapa dava instruções para localizar um tesouro enterrado
em uma certa ilha. "Ande da palmeira até a entrada da
caverna. Lá chegando, vire 90 graus à direita e caminhe o mesmo
número de passos. No final desse trajeto coloque uma marca e
retorne à palmeira. Agora, caminhe em direção à pedra. Lá chegando,
vire 90 graus à esquerda e caminhe o mesmo número de passos
que foram dados. Coloque uma marca no fim desse trajeto. O tesouro
está no ponto médio das duas marcas." Quando chegamos
à ilha, a palmeira não existia mais. Com ajuda do cabri-géomètre,
como fazer para encontrar o tesouro ?
Discussão:
Durante
e após as atividades no laboratório com o cabri-géomètre , pudemos
constatar que todos os professores ficaram muito impressionados
com o programa. Muitos deles sentiram a necessidade de utilizar
o cabri em suas escolas, a fim de tornar o ensino de Geometria
mais criativo e dinâmico. Apenas uma pequena parte dos professores
não manifestou desejo de obter uma cópia do cabri.
Apesar
do sucesso com esta experiência, e de outras do mesmo gênero,
constatamos que são ainda tênues as ações concretas para a implantação,
nas escolas de Salvador e em grandes cidades como Feira de Santana,
Ilhéus, Vitória da Conquista, Jequié, etc., de programas computacionais
de Matemática, e em particular do cabri-géomètre 2. Em resumo,
temos a seguinte realidade educacional:
- Como
dito pelo Ministério de Educação, "é preciso dar atenção
especial ao desenvolvimento de softwares educacionais, para
uso nas escolas de Ensino Fundamental e Médio (Ministro
Paulo Renato Souza, Jornal do MEC, março de 99)".
No entanto, não está estabelecida uma política
pública (ou privada), uma ação concreta efetiva,
para que se atinja esta meta.
- O
esforço despendido para a motivação e para o treinamento dos
professores em Tecnologia Educacional é pequeno e insuficiente
para deixá-los seguros.
- Os
laboratórios de computadores das escolas, quando existem,
são gerenciados e orientados por pessoal não qualificado.
Além disso são utilizados, de forma equivocada, "programas
prontos" e inadequados para Matemática.
- A
maioria dos professores de Matemática tem pouco domínio do
computador, gerando com isso uma receio na sua utilização
do Cabri em sala-de-aula.
- Falta
segurança no conteúdo matemático para que o professor possa
desenvolver e orientar atividades de Geometria com o cabri.
Há o risco dos professores apresentarem o cabri de forma inadequada,
resultando em experiências sem sucesso.
Conclusão:
Tendo
em vista os resultados positivos na utilização do cabri-géomètre
2 , atestados pelos depoimentos dos professsores-alunos em vários
cursos no Estado da Bahia (PRÓ-CIÊNCIAS, PROLICEN, VII EBEM,
VI ENEM, Semana de Ciências, Encontros, etc), podemos inferir
que a utilização deste programa em escolas do Ensino Fundamental
e Médio representa um novo paradigma brasileiro, para o ensino
interativo e eficiente da Geometria. É necessário no entanto
que haja um engajamento maior, um esforço conjunto da comunidade
matemática, no sentido de sensibilizar a sociedade e os organismos
governamentais a fim de trazer para os Professores e para as
Escolas este admirável mundo do cabri.
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