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Relatos
de Experiência
O
Cabri Géomètre na sala de aula
Circe Mary Silva da Silva
Maria Auxiliadora V. Paiva
Resumo:
O objetivo desta comunicação é o de relatarmos nossas experiências
com o software Cabri em situações de ensino. Foi utilizada a
versão portuguesa do original desenvolvido por Ives Baulac,
Frank Bellemain e Jean Mari Laborde. As experiências foram realizadas
com alunos e professores nos Estados do Espírito Santo, Rio
de Janeiro e Goiás.
Durante
o período de 1995 a 1998, trabalhamos com o Cabri Géomètre numa
pesquisa que tinha como objetivo principal testar sua eficácia
em situação de ensino-aprendizagem. O público-alvo foram turmas
de 7ª e 8ª séries da Sociedade Cultural
Monteiro Lobato CEMS (SCML-CEMS).
Primeiramente,
foram feitos estudos sobre o software Cabri no grupo de estudos
LEACIM, Laboratório de Ensino-Aprendizagem de Ciências e Matemática
da UFES. Num trabalho conjunto com o professor Marcelo Cavalcante,
da SCML-CEMS, atividades foram propostas e analisadas, para
posteriomente serem testadas com os alunos e reformuladas quando
necessário.
As
atividades realizadas nessa escola de primeiro grau foram organizadas
em forma de apostilas. Concomitantemente com esse trabalho e
as discussões com os alunos de licenciatura em Matemática, sentimos
a necessidade de elaborar um livro que servisse de apoio tanto
para o aluno quanto para o professor que desejar utilizar o
software Cabri. Participaram da redação desse livro, além das
autoras, Marcelo Cavalcanti e Simone Lourenço. Contamos com
o apoio da Pró-Reitoria da Extensão da UFES para a sua edição.
A partir da edição do livro em 1997, passamos a utilizá-lo nos
cursos ministrados.
Atingimos,
nesses cursos, ministrados tanto alunos do ensino fundamental
(7ª e 8ª séries), quanto alunos dos cursos
de licenciatura em Pedagogia e Matemática da UFES. Além disso,
foram oferecidos cursos para alunos de especialização em Matemática
(Universidade Federal de Goiás) e Educação Matemática (FAESA),
para professores do ensino fundamental, médio e superior. As
aulas sempre foram teórico-práticas e aconteceram em laboratórios
com equipamentos adequados e suficientes (no máximo 2 pessoas
por computador).
O
quadro a seguir fornece um panorama da clientela atingida.
|
Clientela
|
Número
de alunos por ano
|
|
1995
|
1996
|
1997
|
1998
|
1999
|
|
Alunos
do ensino fundamental
|
140
|
136
|
140
|
140
|
142
|
|
Alunos
do curso de Pedagogia
da
UFES
|
____
|
____
|
98
|
104
|
30
|
|
Alunos
do curso de licenciatura
em
Matemática da UFES
|
___
|
6
|
4
|
10
|
___
|
|
Professores
do ensino fundamental, médio e superior (incluindo alunos
de cursos de especialização)
|
____
|
25
|
____
|
65
|
15
|
|
Total
|
140
|
167
|
242
|
319
|
187
|
Dentre
as atividades trabalhadas pelos alunos, ressaltamos como de
resultados excelentes as de: construção de quadriláteros e suas
propriedades, ângulos inscritos na circunferência, teorema de
Pitágoras, elementos do triângulo, homotetia e semelhança.
O
uso do Cabri nas aulas de Geometria mostrou sua eficácia no
processo de ensino-aprendizagem no que diz respeito à motivação
dos alunos e em como eles constroem os conceitos e as propriedades
das figuras geométricas, a partir da dinâmica das figuras. Todas
as atividades foram acompanhadas de uma reflexão, propiciando
aos estudantes o entendimento de cada passo efetuado. O professor
teve o papel de orientador e incentivador dos alunos, durante
as atividades propostas. Cada aula no laboratório de informática
era seguida de discussões em sala para que uma síntese dos resultados
obtidos pelos alunos pudesse ser feita, além de exercícios complementares.
Acreditamos
que o Cabri é também um instrumento didático valioso na formação
de indivíduos mais autônomos, criativos e questionadores, pelo
fato de ter permitido ao estudante, durante nossas experiências,
explorar e verificar o que ocorre em diversas situações, proporcionado-lhe
a oportunidade de fazer conjeturas, testar suas convicções,
melhorar sua visualização plana e espacial, observar e confirmar
propriedades das figuras, buscar demonstrações e interagir com
colegas e professores.
Conclusões:
Salientamos que essas experiências vividas por nós reforçam
o papel desempenhado pelo Cabri Géomètre, quer na resolução
de problemas, quer na construção do conhecimento.
Os
depoimentos dos alunos e professores nos mostram como a experiência
foi positiva. Apontam para o fato de terem tido uma participação
ativa nos trabalhos, refazendo conceitos e construindo significados
para o ensino da Geometria, tornando-se agentes de sua própria
aprendizagem. Indicam como limitações do Software Cabri a falta
de precisão das medidas, o que muitas vezes pode ocasionar resultados
conflitantes.
Bibliografia:
Eves,
H. Tópicos de História da matemática para uso em sala de
aula: Geometria. Atual Editora, São Paulo, 1992.
Hilbert,
D. Fundamentos da Geometria. Publicação Instituto para
alta Cultura, Lisboa, 1952.
Laborde,C.;Cppolini,
B. Aprender a ver e manipular objeto além do traçado no
CABRI-GÉOMÈTRE. Em Aberto n.62, Brasília, 1994
Manual
de Referência do CABRI GÉOMÈTRE, Grenoble, 1991.
Mason,
J. O "que", o "porque" e o como em
Matemática. In: Educação Matemática, n.34, p. 28-32, 2º
trimestre, 1995.
Paiva,
M. A.; Silva da Silva, C. M; Cavalcanti; M. Lourenço, S. CABRI:
Descobrindo a Geometria no Computador. LEACIM/PPGE/UFES,
1997.
Sant,
Jean-Marc. O "CABRI GÉOMÈTRE". Revista do
Professor de Matemática. SBM, 3º trimestre, p.36-40, São Paulo,
1995.
Wagner,
E. Construções Geométricas. Coleção do Professor de
Matemática, SBM, Rio de Janeiro, 1993.
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